A perda de um familiar é um dos momentos mais delicados da vida — e, no ambiente profissional, isso exige sensibilidade e clareza sobre direitos. A Licença Nojo existe justamente para garantir que o trabalhador tenha um período mínimo para lidar com o luto sem prejuízos financeiros.
Ao longo deste conteúdo, você vai entender o que é a Licença Nojo, quando surgiu, quem tem direito, quantos dias são concedidos e, principalmente, como o RH pode acolher colaboradores de forma mais humana nesse momento.
O que é Licença Nojo?
A Licença Nojo é um afastamento remunerado concedido ao trabalhador em caso de falecimento de um familiar próximo, garantindo dias de ausência sem desconto no salário.
Esse tipo de licença está previsto na legislação trabalhista brasileira como uma falta justificada. Na prática, permite que o colaborador tenha tempo para lidar com o luto, organizar questões pessoais e participar de rituais de despedida.
A Licença Nojo faz parte de um conjunto de direitos voltados ao bem-estar do trabalhador, especialmente em situações de impacto emocional. Termos como luto, perda familiar, saúde mental e estresse emocional estão diretamente ligados a esse contexto.
Quando surgiu a Licença Nojo?
A Licença Nojo surgiu com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), criada em 1943 durante o governo de Getúlio Vargas.
Desde sua criação, a legislação já previa a possibilidade de ausência remunerada em situações específicas, incluindo o falecimento de familiares. Com o passar dos anos, acordos coletivos passaram a complementar a lei, ampliando direitos em determinadas categorias.
Mesmo sendo um direito antigo, a forma como as empresas lidam com a Licença Nojo evoluiu. Hoje, há uma preocupação maior com saúde emocional, clima organizacional e experiência do colaborador.
Por que o nome Licença Nojo?
O termo “nojo” tem origem no português antigo e significa luto, tristeza profunda ou pesar pela morte de alguém próximo.
Apesar de, atualmente, a palavra estar associada a repulsa, no contexto jurídico seu significado permanece ligado ao sofrimento causado pela perda. Por isso, a expressão Licença Nojo ainda é utilizada em documentos legais e textos trabalhistas.
No dia a dia corporativo, muitas empresas optam por termos como “licença por falecimento” ou “licença luto”, que são mais claros e evitam interpretações equivocadas.
Quem tem direito à Licença Nojo?
Têm direito à Licença Nojo os trabalhadores com carteira assinada, conforme previsto na CLT, em caso de falecimento de familiares diretos.
De forma geral, a legislação contempla:
- cônjuge ou companheiro(a);
- pais;
- filhos;
- irmãos;
- dependentes econômicos registrados.
Dependendo da convenção coletiva, o direito pode ser estendido a outros vínculos familiares, como avós ou sogros. Por isso, é importante que o RH oriente o colaborador a verificar as regras específicas da sua categoria.
Esse cuidado evita dúvidas e garante que o direito à Licença Nojo seja aplicado corretamente.
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Quantos dias de Licença Nojo são concedidos?
A CLT garante até 2 dias consecutivos de Licença Nojo em caso de falecimento de familiar direto.
Esses dias são remunerados e não geram desconto no salário. No entanto, o número de dias pode variar conforme acordos coletivos ou políticas internas da empresa.
Em algumas organizações, principalmente aquelas com cultura voltada ao bem-estar, esse período pode ser ampliado. Isso acontece porque o luto não segue um padrão e pode impactar cada pessoa de forma diferente.
Ao revisar políticas internas, o RH pode avaliar se o período oferecido atende às necessidades reais dos colaboradores.
Quando começa a correr o prazo da Licença Nojo?
O prazo da Licença Nojo começa a partir do primeiro dia útil após o falecimento ou da ciência do ocorrido pelo colaborador.
Essa definição pode variar conforme a política da empresa ou convenção coletiva. De modo geral, considera-se:
- início no dia útil seguinte ao falecimento;
- possibilidade de iniciar no mesmo dia, dependendo do horário e da situação;
- ajustes quando o óbito ocorre em finais de semana ou feriados.
Ter regras claras evita interpretações divergentes e garante mais segurança tanto para o colaborador quanto para a empresa.

Qual a documentação para solicitar a Licença Nojo?
A solicitação da Licença Nojo exige a apresentação de um documento que comprove o falecimento do familiar.
Entre os documentos mais comuns estão:
- certidão de óbito;
- declaração da funerária;
- documento emitido por hospital ou autoridade competente.
Embora a comprovação seja necessária, o RH deve agir com sensibilidade. O momento é delicado, e exigir documentos de forma imediata ou rígida pode gerar desconforto.
Uma abordagem mais empática contribui para uma experiência mais positiva, mesmo em um contexto difícil.
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Direitos e deveres do empregado durante a licença nojo
Entre os principais direitos do empregado durante a Licença Nojo, destacam-se:
- ausência do trabalho sem desconto no salário;
- manutenção de benefícios contratuais, como vale-alimentação ou plano de saúde, conforme política da empresa;
- garantia de não aplicação de penalidades disciplinares pela ausência;
- respeito à privacidade e ao momento de luto.
Por outro lado, existem deveres que precisam ser observados para que a Licença Nojo seja corretamente aplicada:
- comunicar a empresa o mais rápido possível sobre o falecimento;
- informar o grau de parentesco com a pessoa falecida;
- apresentar documento comprobatório, como a certidão de óbito;
- respeitar o prazo de afastamento previsto em lei ou acordo coletivo.
É importante destacar que o não cumprimento dessas obrigações pode levar à descaracterização da falta justificada, especialmente em casos em que não há comprovação do ocorrido.
Como o RH pode acolher colaboradores que perderam familiares?
O acolhimento durante a Licença Nojo vai além da burocracia. A forma como a empresa se posiciona nesse momento impacta diretamente a percepção do colaborador sobre o ambiente de trabalho. Entenda como:
1. Oferecer comunicação empática
A primeira abordagem faz diferença. Uma mensagem respeitosa, direta e humana demonstra cuidado e evita que o colaborador se sinta apenas mais um processo administrativo. Evitar respostas automáticas ou frias é essencial nesse contexto.
2. Flexibilizar o retorno
O retorno ao trabalho após a Licença Nojo pode ser desafiador. Sempre que possível, oferecer horários flexíveis, home office ou retorno gradual ajuda na readaptação.
Cada pessoa vive o luto de forma única, e respeitar esse tempo faz parte de uma cultura organizacional saudável.
3. Preparar lideranças
Gestores têm papel fundamental nesse processo. Eles precisam saber como abordar o colaborador, respeitar limites e evitar cobranças inadequadas. Treinamentos em inteligência emocional e escuta ativa podem ajudar nesse preparo.
4. Oferecer suporte psicológico
Disponibilizar apoio emocional é uma prática cada vez mais comum. Programas de assistência ao trabalhador ou parcerias com profissionais de saúde mental podem ser decisivos nesse momento.
Além disso, empresas podem contar com soluções como o benefício corporativo da Allya, que oferece serviços voltados ao bem-estar, como terapia, para contribuir pela saúde emocional dos colaboradores em momentos delicados.
5. Evitar pressão por resultados
Após a Licença Nojo, o colaborador pode apresentar queda de produtividade ou dificuldade de concentração. Isso é esperado. Cobranças excessivas podem intensificar o sofrimento e prejudicar ainda mais o desempenho.
6. Manter acompanhamento
O luto não termina com o fim da Licença Nojo. Por isso, o acompanhamento contínuo é importante. Conversas periódicas e abertura para diálogo ajudam o colaborador a se sentir apoiado ao longo do tempo.
Conclusão
A Licença Nojo é um direito essencial que garante ao trabalhador tempo para lidar com a perda de um familiar sem prejuízo financeiro.
Mais do que cumprir a legislação, empresas que adotam uma abordagem empática fortalecem a relação com seus colaboradores e contribuem para um ambiente de trabalho mais leve e saudável.
O RH tem um papel estratégico nesse processo, garantindo clareza nas regras e sensibilidade na aplicação. Ao equilibrar conformidade legal e cuidado humano, a organização cria uma cultura mais respeitosa e sustentável.
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