Os primeiros dias de 2026 chegam com uma certeza para profissionais de Recursos Humanos: cuidar da saúde mental no trabalho deixou de ser opcional. Enquanto brasileiros traçam metas de bem-estar pessoal para o Novo Ano, empresas enfrentam desmotivação, e afastamentos e queda de engajamento, o que exige uma revisão profunda das estratégias de gestão de pessoas.
A conexão entre saúde emocional dos colaboradores e produtividade organizacional nunca foi tão evidente. Mas como transformar boas intenções em ações realmente eficazes dentro do ambiente corporativo? Confira abaixo!
Por que a saúde mental corporativa exige urgência?
O cenário corporativo brasileiro atravessa uma transformação silenciosa que não pode mais ser ignorada. Os afastamentos por questões de bem-estar psicológico mais que duplicaram em uma década, segundo relatório da Agência Brasil.
A ansiedade lidera as causas, seguida por depressão e transtorno bipolar. Esses números não são apenas estatísticas: representam equipes enfraquecidas, projetos atrasados e talentos perdidos.
O ambiente profissional contemporâneo cobra seu preço. Jornadas extensas, cobranças sem reconhecimento e metas inalcançáveis criam uma receita para o esgotamento. Para o RH, isso significa repensar processos desde o recrutamento até o desligamento.
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Brasileiros priorizam bem-estar: o que isso ensina ao RH?
Uma tendência interessante emerge das resoluções de Ano Novo dos brasileiros em 2026. Uma pesquisa recente da Vihta, empresa de suplementos alimentares, publicada no Medicina S/A, mostra que a população planeja adotar hábitos mais saudáveis, com destaque para alimentação equilibrada, hidratação adequada e sono de qualidade.
Entre as principais metas estão reduzir frituras e industrializados (65,4%), beber mais água (62,2%) e incluir mais vegetais nas refeições (60%). Práticas como exercícios regulares (74,6%) e cuidados com a saúde psicológica (66,4%) completam o quadro.
Essas escolhas indicam maior consciência sobre autocuidado e qualidade de vida. Para departamentos de RH, a mensagem é clara: colaboradores buscam empregadores que apoiem essas escolhas. Programas de qualidade de vida, horários flexíveis e benefícios voltados ao bem-estar ganham peso na atração e retenção de talentos.
Como as empresas podem agir de forma prática?
Empresas que desejam enfrentar os impactos do adoecimento emocional de forma efetiva precisam ir além do discurso e adotar medidas concretas que promovam saúde mental no trabalho, equilíbrio e ambientes corporativos mais sustentáveis. São elas:
1. Colocar em prática a NR-1
A partir de maio de 2025, uma mudança regulatória importante entra em vigor. Organizações brasileiras precisam incluir a avaliação de riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos, conforme atualização da NR-1 do Ministério do Trabalho e Emprego.
Na prática, isso exige identificar fatores como estresse excessivo, assédio moral e sobrecarga mental. Mas o cumprimento legal é apenas o ponto de partida. Empresas verdadeiramente comprometidas vão além das exigências mínimas.
Algumas ações concretas incluem:
- Implementar canais confidenciais para relato de situações de risco.
- Capacitar lideranças para identificar sinais precoces de esgotamento.
- Oferecer suporte psicológico acessível. Uma ótima dica é a plataforma de descontos da Allya, que possui parceria de terapia online.
- Revisar metas e prazos para evitar pressão desnecessária.
- Promover pausas regulares e respeitar limites de jornada.

2. Promover equilíbrio trabalho-vida
O presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas rende abaixo do potencial, afeta diretamente a produtividade e os custos da empresa. Por isso, promover um verdadeiro equilíbrio entre vida profissional e pessoal é uma estratégia ligada à saúde mental no trabalho.
Medidas como horários flexíveis, home office e banco de horas realista demonstram respeito pelo tempo dos colaboradores. Políticas de desconexão digital evitam o Burnout Digital e garantem que ninguém seja acionado fora do expediente, protegem momentos de recuperação essenciais.
Quando as pessoas têm tempo para cuidar da saúde, conviver com família e desenvolver hobbies, retornam ao trabalho mais criativas, focadas e motivadas. A equação é simples: colaboradores descansados produzem melhor.
3. Transformar estruturas de trabalho
É preciso questionar modelos de gestão obsoletos e acabar com o ambiente de trabalho tóxico. Para isso, é necessário revisar processos que sobrecarregam equipes e confrontar culturas organizacionais que normalizam o excesso.
Quando o trabalho é a causa do adoecimento, afastar temporariamente resolve apenas o sintoma. A cura verdadeira está em reorganizar a forma como as pessoas trabalham, garantindo condições dignas e sustentáveis para todos.
O que a empresa perde ao ignorar a saúde mental no trabalho?
Quando a saúde mental não é priorizada, os prejuízos ultrapassam o impacto humano e atingem diretamente a sustentabilidade do negócio. O que parece uma economia no curto prazo se transforma em perdas estruturais ao longo do tempo.
Entre as principais perdas estão:
- Queda silenciosa de produtividade, com equipes presentes, porém desengajadas.
- Aumento de erros, retrabalhos e falhas de comunicação interna.
- Elevação dos custos com afastamentos, turnover e processos trabalhistas.
- Enfraquecimento da cultura organizacional e do senso de pertencimento.
- Redução da capacidade de inovação e tomada de decisão mais lenta.
- Deterioração da reputação da empresa no mercado de talentos.
O RH de 2026 enfrenta um desafio complexo, mas não impossível. Transformar a saúde mental no trabalho em prioridade genuína exige visão sistêmica, liderança comprometida e investimento contínuo.
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