O TDAH no trabalho refere-se aos desafios funcionais que profissionais diagnosticados com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade enfrentam no ecossistema corporativo.
Essa condição neurobiológica manifesta-se por meio de sintomas de desatenção, impulsividade e hiperatividade, que podem impactar a execução de tarefas complexas.
A seguir, entenda como essas características se traduzem na rotina laboral e quais protocolos o RH pode implementar. Confira as estratégias para alinhar a estrutura da empresa às necessidades de processamento de informações desses colaboradores.
O que é TDAH?
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica de ordem genética, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Ele se caracteriza por um padrão persistente de desatenção, inquietude e impulsividade que se manifesta ainda na infância e, em cerca de 60% dos casos, acompanha o indivíduo na vida adulta.
No cérebro de uma pessoa com TDAH, há uma variação no funcionamento dos neurotransmissores, especificamente na região do córtex pré-frontal.
Essa área é responsável pelas funções executivas, que atuam como o “maestro” do comportamento humano. Quando essa regulação é afetada, o indivíduo encontra barreiras biológicas para sustentar o foco e organizar prioridades de forma linear.
TDAH no trabalho: o que diz a legislação brasileira?
A legislação brasileira tem avançado significativamente na proteção e inclusão de pessoas neurodivergentes. Um marco importante é a Lei nº 14.254/2021, que dispõe sobre o acompanhamento integral de educandos com TDAH ou dislexia.
Embora o foco inicial seja a educação, seus princípios de suporte e diagnóstico precoce influenciam as diretrizes de saúde ocupacional nas empresas.
No âmbito trabalhista, o TDAH não é automaticamente listado como uma deficiência para fins de cota (PCD), a menos que existam limitações severas comprovadas por perícia multiprofissional.
No entanto, o colaborador está protegido por princípios constitucionais de dignidade e não discriminação. O RH deve estar atento para que a condição não seja motivo de exclusão ou desligamento punitivo.
Além disso, o TDAH pode ser considerado uma condição de saúde que exige ajustes no ambiente de trabalho. Isso significa que a empresa tem a responsabilidade de oferecer adaptações que permitam ao profissional exercer sua função em igualdade de condições.
O TDAH no contexto laboral
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade afeta as funções executivas, que são os processos cognitivos responsáveis pelo gerenciamento de comportamentos e metas.
No trabalho, isso se traduz em desafios específicos que, se não monitorados, podem elevar o risco de estresse no trabalho. A seguir, detalhamos os principais pontos de atenção para o RH:
Enfrentar a desatenção e os esquecimentos
A dificuldade em manter a atenção sustentada em tarefas longas ou reuniões extensas é uma característica comum. O profissional pode apresentar devaneios frequentes ou esquecer detalhes importantes de instruções verbais.
Isso não reflete falta de interesse, mas uma oscilação na regulação do foco, típica do funcionamento neurobiológico do transtorno.
Gerenciar o tempo e a priorização
Problemas com o planejamento e a estimativa de tempo para tarefas costumam gerar atrasos ou procrastinação. O colaborador pode ter dificuldade em distinguir o que é urgente do que é importante, resultando em tarefas incompletas ou entregues sob pressão extrema.
Esse ciclo de trabalho pode levar à exaustão física e mental se não houver suporte metodológico.

Lidar com a impulsividade e o hiperfoco
A impulsividade manifesta-se em decisões precipitadas ou trocas rápidas entre projetos sem a finalização do anterior. Simultaneamente, pode ocorrer o estado de hiperfoco, onde o indivíduo se dedica intensamente a um assunto de seu interesse, negligenciando outras prioridades.
Como oferecer suporte aos colaboradores com TDAH?
Confira abaixo algumas ações para estruturar esse apoio de forma eficiente. Essas medidas visam otimizar a performance e garantir o bem-estar dos talentos neurodivergentes.
1. Padronizar a comunicação interna
Documentar diretrizes por escrito é fundamental para evitar a perda de informações compartilhadas em reuniões verbais. O registro textual serve como uma âncora de consulta rápida, reduzindo ruídos e garantindo o alinhamento das expectativas.
Esta prática beneficia a memória de trabalho do colaborador e aumenta a transparência nos processos do departamento.
2. Oferecer flexibilidade ambiental
Permitir o uso de fones com cancelamento de ruído e oferecer espaços de silêncio é essencial para o trabalho profundo. O controle de estímulos externos minimiza distrações visuais e sonoras que prejudicam a concentração de quem possui TDAH.
A flexibilização do espaço físico demonstra que a empresa valoriza a ergonomia cognitiva dos seus times. Ambientes adaptáveis são ferramentas diretas para elevar a qualidade das entregas e reduzir o cansaço mental ao fim do expediente.
3. Implementar ferramentas de gestão visual
Incentivar o uso de aplicativos de tarefas, como Trello, facilita a visualização clara dos fluxos de trabalho. Ferramentas visuais ajudam na segmentação de grandes projetos em etapas menores e mais gerenciáveis para o colaborador.
O RH pode padronizar essas tecnologias para que todos os membros da equipe acompanhem o progresso de forma intuitiva.
4. Estruturar feedbacks e check-ins frequentes
Realizar reuniões de acompanhamento curtas ajuda a alinhar prioridades e fornecer orientações claras sobre os próximos passos. O feedback constante evita que o profissional se perca em tarefas secundárias e garante correções de rota em tempo real.
Esse modelo de gestão por proximidade fortalece a confiança entre líder e liderado, criando um ambiente de segurança psicológica.
5. Promover a capacitação das lideranças
Treinar gestores para liderar times diversos é vital para focar em resultados tangíveis, em vez de apenas em processos lineares. Líderes capacitados conseguem identificar os talentos únicos de profissionais neurodivergentes.
A educação corporativa sobre o tema remove vieses inconscientes e melhora o clima organizacional de forma sistêmica.
👉 Liderança humanizada: o que é e como promover o bem-estar dos colaboradores?
6. Disponibilizar benefícios de bem-estar
O suporte profissional especializado ajuda o colaborador a desenvolver estratégias personalizadas de organização e foco no trabalho.
Plataformas de benefícios corporativos como a Allya auxiliam a reduzir as barreiras de acesso ao autocuidado essencial. Ao oferecer descontos em farmácias, psicólogos e lazer, a empresa fornece recursos práticos para o gerenciamento do estresse.
Apoiar profissionais com TDAH não é apenas uma escolha ética, mas uma decisão pautada em dados de desempenho. Quando os colaboradores recebem ajustes adequados, a produtividade tende a aumentar, o absenteísmo a diminuir e a lealdade à empresa cresce.
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